Faltou o manual...

Música da Semana: Greatest Love Of All
(Whitney Houston)

(Veja aqui a tradução da letra)
Não sou pedagoga, não sou psicóloga. Não sou mãe nem nunca criei uma criança. Dei muito palpite, exerci alguma influência, escutei algumas coisas, aprendi outras, ponderei mais ainda, mas definitivamente não sou uma especialista neste assunto. Sou mulher, sou filha, tenho algum bom senso.
Claro que já ouvi muito absurdo e de pessoas de nível social bastante alto! A impressão que me dá é que os pais de hoje não criam os seus filhos para que estes construam um mundo melhor. A impressão que me dá é que os pais criam seus filhos para se darem bem, para se safarem da melhor maneira possível.
Outro dia ouvi de uma pessoa que, passando por um problema sério na escola dos filhos adolescentes, chamou-os para dizer-lhes que, não importava o que eles fizessem, mamãe e papai sempre estariam a seu lado e segurariam as pontas. Mamãe e papai vivem uma vida de faz-de-conta. Moram em um apartamento caríssimo, dirigem um carro de luxo, freqüentam lugares acima de suas posses, estão cheios de dívidas. Mamãe e papai têm baixa auto-estima. Gostariam de ter muito mais do que têm. Mamãe e papai criam seus filhos assim. "Tudo bem, filhinhos, vocês podem roubar, usar drogas, traficar drogas. Se forem pegos, mamãe e papai vão dar um jeitinho. O importante é manter as aparências." Aposto com você que mamãe e papai tomam este tipo de atitude com a melhor das intenções, pensando que assim estão fortalecendo a personalidade dos filhos e dando todo o apoio possível. Um pouco mais do que o necessário talvez. Eles não pensam que, com este apoio irrestrito, um dia podem acordar com um filho preso, torturado e morto na cadeia. Eles não pensam que seu filhinho pode, em uma noite de sábado, beber um “pouco mais”, sair dirigindo, atropelar umas pessoas, bater num poste e acabar, não morto, mas numa cadeira de rodas, sem poder se mexer para o resto da vida. Não, eles não pensam. Só vão se lamentar depois: “Como aconteceu isso? Um menino tão jovem, tão responsável, nunca fez nada de errado... Por que? Por que?”
Outra que me contaram foi a estória de uma mamãe que, em seus tempos de rebeldia, fumou todas e cheirou algumas. Agora, mamãe, adulta e muito responsável, especialista na arte de educar crianças (e não só as dela), descobriu que um de seus pimpolhos estava se rebelando como ela. Mamãe não titubeou. Passou um sermão daqueles bem anti-drogas e não só não admitiu, como negou veementemente, qualquer envolvimento seu com drogas. Esqueceu até de um certo vasinho que ela tinha...
Não acredito em mentiras. Não acredito em criar mitos. Pais são humanos, portanto são falíveis. Pais não são heróis e não deveriam ser vistos assim. Nada como uma boa decepção para acabar com o respeito que se tem por alguém. Pode ser que eu esteja errada, mas não seria mais fácil admitir que já houve um envolvimento com drogas, que a experiência não foi boa por isso ou por aquilo, abrir o jogo mesmo? A gente esquece, depois de adulto, que tudo que é proibido é mais gostoso...
Crianças, ricas ou pobres, deveriam aprender, desde cedo, a ter respeito não só por seus pais e irmãos, mas por qualquer ser humano ou, melhor ainda, qualquer ser vivo. Nunca vou esquecer de uma criança que conheci que mandava – é, mandava! – os pais levantarem para ela se sentar. E eles obedeciam! Sempre! Por que esta criança vai se importar com os bancos para deficientes do metrô? Por que esta criança vai se importar com uma mulher grávida ou um senhor de bengala? Ela não aprendeu a se importar com os pais!
Crianças também deveriam ter responsabilidades de acordo com a sua idade. Uma criança de um ano consegue pôr seus brinquedos de volta na caixa depois de brincar. Ela consegue tirar da caixa, não consegue? Uma das minhas melhores amigas tem dois filhos. Desde bem pequenos, algo em torno de dois anos, sempre que eles derrubavam alguma coisa no chão – leite, suco, água -, tinham que secar. E lá vinham eles, com o pano na mão, para secar o que molharam. Estas mesmas crianças, um pouco mais velhas, aprenderam a arrumar suas camas, independente de a empregada vir ou não, e a pôr seus pratos dentro da pia. Hoje, já adolescentes, cada um tem as suas tarefas dentro de casa.
Não fiquem com pena dos seus filhinhos, achando-os sempre tão pequenos, tão incapazes. Crianças são como esponjas: absorvem todos os ensinamentos - os bons e os ruins. Se você achar seu filho incapaz, ele não terá confiança em si mesmo para dar passos maiores e necessários. Incentive-o. Se você fizer tudo pelo seu filho, ele não vai aprender a fazer sozinho e sempre vai esperar que façam por ele. Cobre resultados. Descubra seus medos, suas inseguranças. Mostre que não existem monstros debaixo da cama. Imponha limites, crie regras. E, se for necessário, quebre-as, mostrando e demonstrando o porquê. Estimule seus filhos, principalmente o que eles têm de bom. Crie novos estímulos através de jogos, brincadeiras, atividades esportivas, terapia. Desenvolva novos talentos. Se você tem um filho violento, por exemplo, ponha-o para praticar esportes onde ele dê vazão a essa violência: boxe, judô, tae-kwon-do, capoeira. Além de canalizar a violência, ele aprenderá a ter respeito pelo adversário, disciplina através dos treinos e, de quebra, poderá se tornar um campeão. Até mesmo o tênis, considerado esporte de elite, ajuda a liberar a violência. Só que o alvo é a bola que, a propósito, não é nenhum ser vivo. É importante que as crianças aprendam, desde sempre, que elas não estão sozinhas no mundo nem que são mais importantes que este ou aquele. Cada pessoa, por mais humilde que seja, tem uma lição a ensinar. Mesmo aquela pessoa mais bronca, mais ignorante. Nem que seja a lição de não fazer igual, de querer ser o oposto. É importante interagir com outras pessoas, de diferentes classes sociais, e respeitá-las pelo o que elas são. É importante saber que existem pessoas diferentes, com necessidades diferentes. Não mantenha seu filho dentro de uma redoma, assistindo à vida como mero espectador, sem nenhuma participação ativa.
Se sua criança não gosta de esportes, incentive-o a participar de grupos de estudo, de teatro, de leitura. Não use prêmios ou dinheiro para conseguir que seus filhos realizem tarefas que são parte da obrigação deles. Eles vão cobrar isso de você para o resto da vida. O vídeo game por ter passado de ano na escola hoje é o carro por ter entrado na faculdade amanhã. Estudar e passar de ano é dever dos filhos assim como é dever dos pais prover casa e comida, portanto não deveria haver prêmios para o que não é mais que obrigação. E ensine-os a negociar, a argumentar, a correr atrás do que eles querem de verdade. Pode não ser muito bom para você, como pai, mas é uma excelente lição para a vida.
Não existe fórmula para criar uma pessoa boa. Pessoas não vêm com manual de instrução. Existem conselhos, tentativas, esforços. Depende da índole de cada um tanto quanto da educação recebida. Bons exemplos ajudam (veja o vídeo acima – vale a pena!), mas não são tudo. Se sentir igual aos outros, e não melhor ou pior, também. Reconhecer seus limites e tentar ultrapassá-los um pouquinho de cada vez, tentando não gerar frustração, para não baixar a auto-estima. Reconhecer que errou, pedir desculpas e, se preciso, começar de novo, de outra maneira. Incentivar a alegria, o bom humor, a saúde. Desestimular a tristeza, a doença, a vingança. Saber se defender, mas, principalmente, saber atacar – como, quando e por quê. Ensinar que não se ganha nada diminuindo o outro, até porque você pode estar no papel do outro amanhã. Exalte as qualidades, conserte os defeitos que incomodam. E permita que se tenha alguns defeitos: afinal ninguém é perfeito. Nem você, nem seus filhos. Nem seus pais.




17 comentários:
23 Julho, 2007 06:57
Olá Debby,
Me considero uma mãe do passado, pois casei muito cedo e tenho uma filha com 42 anos e a outra com 37.
Eduquei-as sòzinha. Sempre fui contra qualquer tipo de vilência, havia muito diálogo, almoço ou jantar juntas, e procurei raciocinar de acordo com meus princípios. Nesta vida, podem tirar tudo de você, mens a educação. Achei que música e matemática eram linguagem uniersal, e introduzi-as neste campo. Hoje sou voluntária numa casa de apoio à crianças com câncer e tenho mais de 300 filhos. Trato-os da mesma forma. Nunca deixo que e chantageiem, como um garoto que quando me iu no 1º dia, e queria fazer algo que não podia, falei sério, mas sem brigar, "Você não vai fazer isto", ao que ele respondeu: "Mas tia, eu vou morrer, estou com câncer". Nem pensei, já fui respondendo: sorte a sua, que vai morrer, e entrar para as estatísticas, já eu, veio lá de longe cidar de vocês e quando sair daqui, posso morrer atropelada, com bala perdida, sei, lá. O que sei é que você menininho sabido não me compra com isto"
Meu diálogo é parecido com o deles. Adoro eles e eles me adoram.
Acho que o bom senso a autoridade e o zelo pela criança de qualquer nível social, é uma fórmula mais ou menos certa.
Beijos
Mirse
23 Julho, 2007 08:48
A tarefa dos pais está muito difícil assim como ser filho nao está sendo nada fácil. Os pais, com a preocupaçao de estarem apenas dialogando estao sendo só amigos e nao exercendo a funçao de pais..Nada impede o diálogo, mas para um amigo vc nao precisa estabelecer limites.Discutir regras. Vc na tem que pedir nem dar satisfaçoes. Quando os pais têm que assumir "as rédeas", fica perdido, assim como o filho quando vê o amigo exercendo seu real papel de pai, fica sem entender.
os pais sao sem dúvidas as pessoas que mais amam os filhos, sao seus verdadeiros amigos, mas também sao PAIS...
23 Julho, 2007 13:35
23 Julho, 2007 16:11
Oi Debby,
Parabéns pelo texto, você está corretíssima, muito do que você citou eu apliquei na educação do meu casal de filhos, hoje ele com 24 e ela com 21 anos, ele formado em Naturopatia e o primeiro terapeuta contratado por um Hospital,onde ele trabalhou como voluntário por 4 anos sem ganhar nem vale transporte, ela cursando administração e trabalhando em um Banco Privado, muito elogiada pela competência e seriedade no trabalho. Sempre recebo elogios sobre meus filhos e eles tbm recebem e ficam orgulhosos de serem como são. Sempre fui adepta do exemplo, de explicar o por quê das minhas atitudes para com eles, de fazer eles terem responsabilidade com as suas coisas: brinquedos, escola, seus quartos (mesmo tendo empregada, pois trabalho na mesma Empresa há 27 anos),a terem respeito pelas pessoas, pelas plantas e pelos animais, nunca esquecer as palavrinhas mágicas: com licença, por favor e muito obrigado, sempre dei a eles muito carinho, atenção, amor e respeito, pois quem não recebe não sabe dar. Ah! e o principal, TEMPO, sempre que eles me pediram colo eu larguei o que estava fazendo e dediquei o tempo que eles estavam me pedindo, porque dizer agora não posso, fica prá depois, depois já passou. Nos finais de semana, mesmo que eu não tivesse vontade,sempre inventava alguma coisa, cinema, pracinha, etc, achava importante dedicar este tempo a eles. Também sempre cobrei disciplina, tinham hora tudo, prá brincar, tomar banho, dormir e depois com o tempo, prá estudar. Sempre fui amiga sem nunca esquecer minha responsabilidade de mãe. Não existe fórmula, educar os filhos dos outros é fácil, muita gente me criticava, diziam que eu era carrasca, que eles já passavam o dia na escolinha, "tipo em casa deixa fazer o que quer". Eu acho que o caminho é por aí, comigo deu certo. Beijos e Parabéns você é uma ótima educadora.
23 Julho, 2007 17:11
Olá, Deborah!
Tema complexo:Como ser Pai, como ser mãe. Como nem todos podem ter filhos e os que têm devem cuidar com muita responsabilidade essa tarefa que nada tem de fácil.Saber educar, como educá-los? Sendo com eles severos, impondo limites, ensinando o certo e o errado, dialogando constantemente com eles, ser amigo, dando exemplos, através de sua conduta moral, ensinando-os a respeitarem seus semelhantes, serem honestos, fazer eles crerem que existe um Deus, nosso criador e soberano.
Conseguindo essas coisas podemos considerar que ajudamos nossos filhos a terem uma boa formação, não esquecendo que eles tem o livre arbítrio
para escolherem o seus caminhos.
Maria helena.
23 Julho, 2007 22:38
OI Debby,
Praticamente todos od dias penso sobre a educação dos meus filhos. Sou bastante severa, apesar deles terem pouca idade - 4 e 6 anos. Porém, acredito como você, que regras e limites se aprendem desde pequenos. Mas sou muito criticada pelas outras pessoas. Eles tem hora para tudo, acordar , comer, dormir, brincar, estudar, etc. Não acho saudável uma criança nesta idade dormir ás 23 hs e acordar ás 11 hs da manhã. Provavelmente é conveniente para a mãe , mas não é , no meu ponto de vista, adquado para crianças que precisam correr no sol matutino. Eu me sinto um pouco um peixe fora dágua, meio desajustada com as outras mães e famílias. Os horários dos meus filhos não batem com os horários da crianças do prédio. E muitas condutas mais que os ensino não são muito compatíveis com as demais crinaças com quem se relacionam , na escola e no clube. Por isso estou diariamente me questionando se estou certa, se sou carrasca. Mas teimo em achar que educação nunca é demais , que respeitar os mais velhos é essencial, que as palavrinhas mágicas são obrigatórias, enfím, que a maioria das mães confunde as coisas , dando liberdade demais às crianças pequenas. Eles são pequenos demais para escolherem , decidirem certas coisas. E o que mais ouço é mão de crianças de 6 anos dizendo "Eu não acho certou ou bom mas ele quiz assim " . Meus filhos tem liberddae sim, de escolher com que, de que brincar. De escolher as cores para pintar. mas não de escolher se vão de short ou calça comprida á um evento, quem decide isto sou eu. Pode parecer coisa pequena, mas ao meu ver é assim que tudo começa. Amanhã é adolescente e quer sair seminua de casa. Tenho que ensinar as regras agora.
Vou parar pór aqui porque deste assunto sou capaz de não parar mais ...
Bjs,
Olga.
24 Julho, 2007 10:46
Oi Deb!
Vc sabe as causas da minha ausência aqui e na comunidade, então acho que já estou desculpada de antemão. Mas esse tema pra mim é irresistível, então tive que vir deixar qualquer coisa. Já deixei tb na comuna.
Não me considero uma educadora exemplar. Piso na bola como todo o mundo com os meus filhos, e sei que não existem fórmulas secretas. Como vc mesma diz, somos humanos e tb erramos.
Não quero nem pretendo ser a melhor amiga dos meus filhos. Eu sou mãe deles. E pais são pais, amigos são amigos. Sou exigente? Sou. Exijo bons resultados escolares, modos à mesa, educação, e não tolero falta de respeito nem com cachorro. Exijo quarto arrumado, tarefas cumpridas, e não tenho o menor sentimento de culpa quando preciso castigar. Não sou adepta de palmadas e muito menos de surras. Nem de gritos. Quando é pra castigar é com coisas que façam realmente diferença. Uma semana sem tv ou play station. Não compro revistinhas nem jogos. Sair com os amigos está fora de questão por um bom tempo. Coisas que façam "mossa" e os obriguem a pensar. Eles exigem de nós, pais um monte de coisas o tempo todo. Então eu tb não tenho o menor problema em exigir.
Não compenso um bom ano escolar pq acho que é obrigação deles. Mas sou capaz de compensar uma manhã inteira trabalhando no jardim, ou uma cozinha impecável por iniciativa própria.
Quanto eles querem muito alguma coisa, caso da play station 3, incentivo a trabalhar. O meu filho arrumou um trabalho de férias numa loja de animais para poder comprar. Eu poderia dar pra ele? Poderia. Mas não acho que deva. É um capricho dele, exatamente como eu tenho os meus. Se eu posso trabalhar que nem louca pra comprar uma bobagem carissima, ele tb pode.
No entanto eles sabem que ninguém nesse mundo gosta mais deles que eu e o pai. Pra nós eles podem dizer tudo, por pior que seja. Mas tb sabem que sofrerão as consequências boas ou ruins do que fizerem. Agora e sempre.
Tem uma regra fundamental. conversar, conversar, conversar sempre. E ouvir muito tb, por mais díficil que seja.
bjokas!
24 Julho, 2007 11:32
Eu não consigo ser tão compreensiva com certas atitudes de pais na criação de seus filhos. Tudo bem, seres humanos têm defeitos, e muitos tentas acertar errando, mas certas coisas não dá para engolir.
Pais que criam os filhos como se eles pudessem fazer qualquer coisa, roubar, assaltar, mendir, enganar, que tudo bem, estão criando filhos que no futuro espancam mulheres na parada de ônibus por acharem que é uma prostituta (pq afinal de contas, espancar uma prostituta é perfeitamente compreensível). E esses não foram pais que erraram querendo acertar. Foram pais que criaram seus filhos a sua própria imagem e semelhança!
Concordo com você que não há uma fórmula certa para se criar um filho e transformá-lo em um ser humano 100% bom e correto, mas há coisas que não se deve fazer jamais, para não colocar mais um bandido no mundo!
Enfim...
Esse é um assunto complexo, e que dá muito pano para manga!
Bjs, Lari!
24 Julho, 2007 14:35
O título do assunto desta semana é quase completo.
Realmente, FILHO, é artigo que não vem com manual de instruções ou modos de utilização ou certeza de sucesso. Porém eu complementaria o título dizendo que, para serem “ PAIS “ ( pai e mãe), deveria ser obrigatório fazer vestibular e um curso completo, com média de aprovação 8 ( ninguém é perfeito).
Fazer filhos é fácil, é um simples ato mecânico, criar cidadãos é que é dificílimo, principalmente numa época em que tudo é antecipado, as crianças são bombardeadas pelo consumismo e pelo sexo precoce e, a maioria, não têm respaldo familiar pois a FAMÍLIA está dispersa e em ritmo acelerado de extinção. Nossa juventude está sendo criada e educada pelos aparelhos de televisão e suas programações alienantes e pelos consoles de videogames com todas as distorções e desatinos que eles propiciam.
Bons exemplos rendem pouco ou quase nada.
Os maus exemplos são aceitos facilmente e seguidos sem nenhum pudor pois promovem “aceitação social”. A psicologia do “Não diga Não”, criou déspotas mirins e absolutistas sociais que ao desejarem algo simplesmente o tomam, independente de a quem pertença ou que violência seja necessária para consegui-lo.
Os resultados destas distorções, podemos verificá-los nas notícias diárias e no desmanche de nossas instituições sociais.
Este assunto me lembrou de um texto de Ruy Barbosa que transcrevo abaixo e que continua atualíssimo, apesar de ter sido escrito há muitas décadas..
Sinto Vergonha de Mim
Sinto vergonha de mim por ter sido educador de parte desse povo,
por ter batalhado sempre pela justiça, por compactuar com a honestidade,
por primar pela verdade e por ver este povo já chamado varonil enveredar pelo caminho da desonra.
Sinto vergonha de mim por ter feito parte de uma era que lutou pela democracia, pela liberdade de ser
e ter que entregar aos meus filhos, simples e abominavelmente,
a derrota das virtudes pelos vícios, a ausência da sensatez
no julgamento da verdade, a negligência com a família,
célula-mater da sociedade, a demasiada preocupação com o “eu” feliz a qualquer custo,
buscando a tal “felicidade” em caminhos eivados de desrespeito para com o seu próximo.
Tenho vergonha de mim pela passividade em ouvir,
sem despejar meu verbo, a tantas desculpas ditadas
pelo orgulho e vaidade, a tanta falta de humildade
para reconhecer um erro cometido, a tantos “floreios” para justificar
atos criminosos, a tanta relutância em esquecer a antiga posição
de sempre “contestar”, voltar atrás e mudar o futuro.
Tenho vergonha de mim pois faço parte de um povo que não reconheço,
enveredando por caminhos que não quero percorrer…Tenho vergonha da minha impotência,
da minha falta de garra, das minhas desilusões e do meu cansaço.Não tenho para onde ir pois amo este meu chão, vibro ao ouvir meu Hino e jamais usei a minha Bandeira
para enxugar o meu suor ou enrolar meu corpo
na pecaminosa manifestação de nacionalidade.
Ao lado da vergonha de mim, tenho tanta pena de ti, povo brasileiro!
“De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra,
de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus,
o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra,
a ter vergonha de ser honesto”.
24 Julho, 2007 21:49
Deb, querida!!!
Esse seu texto vai me ajudar a ser melhor como mae q almejo ser!
Um beijo enorme, aparbens mais uma vez!
27 Julho, 2007 12:32
Sou mãe há 8 anos e continuo sendo, sempre, aprendiz de mãe. Tenho minhas idéias (muitas), convicções (algumas) e dúvidas (inúmeras), como, acredito, toda mãe/pai tem. Meu princípio básico é não oprimir, não sufocar, respeitar a individualidade e dar espaço. Dentro dessas linhas, vou ajeitando as exigências, os estímulos, as regras.
Sou, talvez, mais permissiva do que deveria ser. Ainda estou aprendendo. Filha única que não precisa dividir nada é um problema :)
Procuro dar o exemplo. O que quero (e rezo para conseguir) é criar um filho para o mundo e que respeite esse mundo, respeite a diversidade, respeite tudo o que vive (gente, animais, plantas), as coisas públicas e a si próprio.
Vou tentando, e lendo, e aprendendo. Ainda não tive tempo de ler todos os depoimentos aqui (li na comunidade), mas vou ler com certeza, e aprender :)
27 Julho, 2007 13:55
Você é uma mãe muito parecida com a minha :D
O vídeo dá até um arrepio ... no começo eu pensei, olha, que bonitinho, o menininho falando ao celular igual ao pai ... mas depois ...
O texto da Lisa da semana passada estava ótimo !! Me fez viajar e acreditar que tudo o que fazemos exerce influência sobre alguém, até sobre aqueles que menos imaginamos.
Beijos !
Cris.
29 Julho, 2007 18:11
Como é bom saber que não estou sozinha neste mndo, e que não sou um E.T. ao tentar criar os meus filhos dando carinho, amor, apoio e responsabilidades.
A mais difícil prova de amor é saber dizer não, é saber não colocar uma almofada no chão e deixar que o filho caia no chão duro, mas estar sempre ao seu lado para estender a mão à ele quando for preciso.
Dar apoio não é "consertar" o erro dos filhos, mas sim estar ao lado deles enquanto eles consertam.
Espero conseguir sempre por essa minha teoria em practica.
Bjs
31 Julho, 2007 17:34
Tenho muito orgulho da criação que tive. Todos os envolvidos nela, por mais diferentes uns dos outros, me ajudaram muito com o que me disseram e com o que me mostraram.
Estou longe de ter a segurança para ter um filho. Pelo que lí nos comentários, acho que essa segurança nunca virá completamente.
Mas tento, na medida do possível, deixar meus pais e meus exemplos de vida orgulhosos das minhas escolhas.
Pratico sempre comigo mesmo as decisões de ética, com meus parente e amigos quando é hora de incentivar e premiar ou quando uma boa bronca é necessária pra aprender. Vamos ver se consigo aprender com esse Estágio, pra quando for efetivado como pai, se consigo transformar minha família em um bom time.
bjos e super parabéns pelo texto e pelas pessoas que vc ajuda a criar!
=)
05 Agosto, 2007 18:29
Ainda bem que faltou!rsrsr
cada pai, cada mãe sabe a relação que tem com seus filhos.Alguns itens são invaráveis:respeito ao ao outro é um deles. O que é bom para uns pode ser péssimo para outros. Sempre tive uma relação de quase 100% de franqueza com minha filha. Não pude estar presente em todos os seu momentos( trabalho), mas quando estou , estive,procuro sempre discutir, rever, o que é melhor para ela e para os outros neste mundo de incertezas.A Filosofia da Educação me mostrou se valia Liberdade neste mundo ( Brasil) em que vivemos. Liberdade demais pode fazer mal? Depende do que você vai fazer com ela!Sou livre, não tenho amarras, mas nem por isto vou fazendo tudo que me vem à cabeça!Ela sempre troca idéias comigo.O tempo com os filhos é uma variante que depende da qualidade!Ah..toda pedagogia moderna diz que não se deve bater nos filhos; bati quase nunca, mas bati na hora certa, sem raiva, para que outros nunca lhe batessem.Parabéns, Deb, seu texto está ótimo!
08 Agosto, 2007 12:41
08 Agosto, 2007 12:57
Bem, não tenho filhos, e não tenho muito contato com crianças. Há cerca de dois anos comecei a lecionar e entre meus alunos estão poucas crianças.
Eu acredito no diálogo, no bom senso,e no exemplo. Principalmente no exemplo. E na honestidade e no cumprimento de toda e qualquer promessa. Se não pode cumprir, não prometa, se não vai cumprir, não ameace. Acho que o pior que um pai pode fazer é não ser confiável. Não quero dizer que pais tenham que ser infalíveis. Digo que tem que ser confiáveis.
Vejo que muitos pais simplesmente não querem ter o trabalho de educar seus filhos (sim, porque educar dá trabalho, muito trabalho)e então, simplesmente vão permitindo tudo, dizendo sim a tudo, dando tudo... E daí crescem filhos que colocam fogo num índio ou num mendigo dormindo numa calçada ou num banco de praça, e acham isso engraçado... Filhos que matam os pais por dinheiro...
E por aí vai. Penso que a prova maior de amor de um pai por seu filho é a educação. Mesmo que isso signifique reeducar-se. Mudar seus hábitos. Porque às vezes, precisamos nor reeducar, para poder passar para nossos filhos o que queremos que eles aprendam. Aquela história de faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço, simplesmente não funciona.
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