Cinco Estrelas
Música da Semana: You've Got A Friend
(Carole King)

(Veja aqui a tradução da letra)
Eu sempre disse que no dia em que eu ganhasse na Mega-Sena, eu me mudaria para um hotel 5 estrelas. Esta idéia se concretizou no período que passamos em Coral Gables, bem do ladinho de Miami. Foram dois períodos de uns dois meses cada, vivendo num quarto de um hotel luxuoso. Uma maravilha. Não precisava me preocupar em fazer supermercado ou cardápio da semana. Não precisava me preocupar se a empregada vinha ou se tinha ficado doente. Não precisava arrumar a cama nem lavar a louça. E ainda tinha termostato no quarto, motivo de briga constante entre mim e o Ric. Descobri que a temperatura ideal para mim é 17 graus e ele descobriu que a dele é 23 graus. Meio incompatível, mas tudo bem.
Com um carro à minha disposição, venci – de novo – meu medo de dirigir e saí pelas ruas de Dade County. Uma vez, cheguei a ir visitar sozinha uma amiga em Miami Beach, passando por highways e tudo e sem nenhum celular. Foi uma vez só, para nunca mais, é verdade. Na volta, peguei uma chuvarada que não dava para enxergar um palmo adiante do carro. Eu parecia aquelas velhinhas de 90 anos dos filmes americanos, toda curvada, dirigindo a 20 km/h. Cheguei no hotel com tanta dor no pescoço que quase que desisti de dirigir de vez. Não deu. Da minha janela, eu via uma Sears enorme. Resolvi ir à pé até lá. Parece que este não era bem o hábito local, pois todos me olhavam bem estranho.
E então, eu pegava a banheirona de novo e lá ia eu, cada vez um pouquinho mais longe. Até o shopping pequeno, depois um pouco além até o Mc Donalds e, finalmente, até o shopping grande.
Mas, o que me marcou mesmo nesta viagem não foram os lugares ou as compras. Foram as pessoas.
Re-encontrei uma colega de escola que eu não via há uns bons 20 anos. Nos encontramos, por acaso, dentro de uma loja de departamentos, comprando presentes de Valentine’s Day (dia dos namorados de lá). Saímos para almoçar e colocar a conversa em dia.
Conheci a Rosita, a arrumadeira do nosso quarto. Rosita tinha nascido no Haiti. Falava três línguas – francês, inglês e crioulo - e estava aprendendo a quarta – o espanhol – que ela treinava comigo e eu treinava com ela. Ela contou que tinha estudado pouco e trabalhado muito, mas que tinha realizado o seu grande sonho: seus 4 filhos estavam na universidade e um deles seria médico. Eu adorava a Rosita e a Rosita me adorava. Tomava conta de mim, se preocupava comigo, colocava shampoos e café especiais, me enchia daquelas besteirinhas que ela tinha no carrinho. Um dia, deixou que eu fuçasse o carrinho dela. Que glória!
Quando voltamos para a segunda estadia, na hora do check-in, perguntei pela Rosita e pedi para ficar no andar dela. Quando nos encontramos, foi um monte abraços e beijos. Assim como no dia em que contei à Rosita que não voltaríamos mais porque o Ric tinha mudado de emprego, choramos as duas. E prometemos nunca esquecer uma da outra. Estou aqui cumprindo a minha parte.
Rosita não foi a única pessoa especial que conheci naquela viagem. Conheci também o Bob Russo. Bob, um americano descendente de italianos do Brooklin, era o novo chefe do Ric. Bob e sua esposa, Shirley, acabaram por se tornar amigos muito especiais, por quem temos um carinho enorme.
Com Bob, aprendemos um novo conceito para o que é ser chefe. Bob fez o Ric ver que a empresa não vem antes de tudo, que antes vem a amizade, a consideração pelo ser humano que compõe a força de trabalho de uma empresa. Bob me ensinou a gostar de comida mexicana e a provar comida tailandesa. Eu mostrei a Bob que Deus não esquece da gente, mesmo que a gente deixe Ele de lado por um tempo. De Bob e Shirley, ganhei uma caixa de chocolates Godiva que guardo até hoje com muito carinho. Só a caixa. Os chocolates já acabaram há muuuuuuito tempo. (É a caixa que aparece na foto acima).
Foi uma época muito especial. Diferente de tudo o que eu já vivi. Um tempo que, como muitos outros, não volta. E deixou saudades. Nunca imaginei que um dia eu fosse sentir saudades de Miami, tão sem graça. Estou sentindo hoje.




10 comentários:
20 Agosto, 2007 02:21
Que delicia!!!
Isso eh um sonho... Nada melhor do que viver em hotel, nao ter com que se preocupar...
Semana que vem volto pra conhecer mais um pouquinho das aventuras de suas viajens.
Boa Semana!
bjs
20 Agosto, 2007 06:04
Adorei passear com você por Miami.
Para mim, ela sempre foi a escala final de um roteiro. Conheci alguma coisa, tipo : cassinos,lojas que vendiam armas, mas como sempre já estava cansada, achei a praia sem grandes belezas, mas as mansões.... MARAVILHOSAS!
No mais uma cidade grande como outra qualquer.
O bom mesmo e entrar na sua mente e embarcar na sua viagem.
Beijos
Mirse
20 Agosto, 2007 11:32
Ficou faltando, querida. Ficou faltando vc descrever Miami, o ritmo de vida por lá, o que achou dos americanos com quem conviveu, ainda que só os encontrados em shopping. Morando 2 meses em uma cidade dá para perceber o tipo de povo que habita o lugar. Era isto que eu esperava, acrescido, é claro, das suas histórias pessoais, sempre interessantes. Bjks.
21 Agosto, 2007 09:03
Oi Deb !!
Faz tempo que eu não comento né ?
Li os dois textos anteriores sobre viagens, mas não comentei sei lá porque ... preguiça talvez.
Agora estou na escola, de aula vaga, vi seu email e resolvi dar uma olhada no blog.
Gostei muito do novo tema d'A Mente, é muito divertido conhecer os lugares e, no caso do texto desta semana, as pessoas que você conheceu e aprendeu a gostar.
Outro dia eu fiz uma limpeza no meu email e reli algumas mensagens que você me mandou. Cheguei a conclusão de que você fala do mesmo jeitinho que escreve, ao contrário de algumas pessoas ... gosto muito de conversar com você, seja por email, scrap ou telefone ... engraçado isso.
Beijos !!
21 Agosto, 2007 09:46
Olá Deborah.
Se há um lugar paparicado dos brasileiros é Miami. Pelo que sei é o paraíso onde as pessoas sonham em viver, fazer compras principalmente.
Mas a cidade é muito bonita, tem seu charme. E os brasileiros se realizam, ou pensam em se realizar, em uma vida melhor, diferente da que viviam antes.
Miami, é convidativa a todos os povos e os que foram pra ficar, não voltaram mais. Mas os que foram fazer compras sempre estão indo e vindo e dizendo "COMPREI EM MIAMI".
Maria helena.
21 Agosto, 2007 14:35
Como sempre uma delícia ler o seu blog. E passar lua de mel com o maridão melhor ainda.. Bjo.
22 Agosto, 2007 08:25
Deb, obrigada! Na verdade não é bem um estilo novo, é mais um estilo entre vários. Não sou muito fiel a eles.
Gostei muito do relato da sua viagem. Tantas coisas podem acontecer no mais prosaico dos cenários! São as pessoas que tornam as coisas interessantes, não é?
Conte mais, conte mais.
22 Agosto, 2007 13:40
Sempre achei que Miami era um lugar meio brega! Mas , Deb, fez um retrato bem interessante do que esta breguice pode ser de chic: o cantato com pessoas de níveis diversos, com sonhos se encontrando.Seus amigos ricos têm um comportamento fino e humano...mas também, com ascendência italiana!!! O sentimento fala mais alto e o ser fica sendo mais importante que empresa. Sincronicamente o lado brasileiro de Deborah aceita as trocas e é isto que faz a amizade de uma funcionária do hotel ser tão rica. Deb encontrou seres tão humanos e tão dispostos a se desvelarem que Miami ganhou mais sabor , além de suas ricas mansões e seu luxo 'cinco estrelas"...Estrelas foram os amigos! Parabéns , querida , por trazer um pedaço de Mmiami até nós!
22 Agosto, 2007 20:45
A única viagem internacional que eu já fiz foi Disney world, nos meus 15 anos. A gente passava 2 dias em Miami na volta! A minha maior lembrança de lá são as compras! Que loucura aquela cidade!
Muito legal! Tem gente de tudo o que é lugar mesmo!
Adorei essa história, Deb. Deve ser realmente maravilhoso morar em um hotel 5 estrelas! Ah, e tiro aqui o meu chapéu para o chefe Bob! Fiquei com uma inveja, agora! Uma vontade de ter um chefe como ele! Infelizmente não tenho!
Bjs, Lari!
24 Agosto, 2007 19:54
Passei duas semanas sem acessar o blog, ferias....
Hje vim me atualizar e....novas férias, mas desta vez viajei com você Deborah.
Obrigada por me levar a conhecer sitios tão desconhecidos para mim e descritos pelo seu tão sensato olhar.
Bjs
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