Na Esquina do Mundo

Música da Semana: Memory
(A.Loyd Weber)

(Veja aqui a tradução da letra)
Nova York é e sempre foi a minha cidade favorita no mundo. Uma cidade diferente. A única cidade no mundo onde o meu objetivo principal não é fazer compras. Não gosto de fazer compras em Nova York. Lá é tudo mais caro e tem tanta coisa para fazer e para ver que me sinto perdendo tempo dentro de lojas.
A primeira vez que fui a Nova York foi em 1988. Eu, minha mãe e mais um grupo de brasileiros que se perdeu na memória. Era uma excursão da finada Soletur por todo o leste dos Estados Unidos. Começando em Miami, subindo pela costa, entrando por Washington D.C. e terminando em Nova York. Tudo de ônibus. Entramos em Nova York, estranhamente, cantando a música Memory, do musical Cats, aquele que iríamos assistir em poucos dias. Hoje em dia, choro cada vez que ouço esta música, lembrando da minha mãe, embora eu já tenha visto o espetáculo mais duas vezes além daquela.
Em nossa primeira noite na cidade, nosso guia tirou folga e nos deixou sozinhos. Fui eleita a guia substituta. E liderei meu grupo, como uma perfeita novaiorquina, à pé, pelas ruas da cidade, do nosso hotel até o Empire State. Juntamos o dinheiro, comprei as entradas e fui tão convincente que não precisei pagar a minha. Subi com o crachá de guia. Lá de cima, eu apontava e apontava. Era como se eu sempre tivesse morado lá.
Estive em Nova York várias vezes, perdi a conta. E, em todas as vezes, Ric sempre se surpreendia com o meu senso de direção. Saía do metrô e dizia “é por ali” e nunca, nunca errei.
Eu, que todos aqui já sabem ser uma grande preguiçosa, sou capaz de andar por horas pelas ruas de Nova York, sem me cansar ou reclamar. Descer a 5ª. Avenida do Metropolitan até a Union Square. Isso dá quase 70 quarteirões. Sou capaz de ficar horas dentro do Metropolitan – no atrium, no terraço e até nas salas. E eu detesto museus. Adoro descobrir lugares novos e ir atrás de endereços famosos. Via em filmes e ia anotando para a minha próxima viagem. E sempre tinha alguma coisa diferente para ver.
Já fui no Natal e no Ano Novo. O Natal é maravilhoso e você ainda pega a maior liquidação do ano, nos dias antes do Ano Novo. Já o Ano Novo não tem a menor graça. É frio, é rápido e é sem graça. Já fui na primavera e já fui no outono. Nunca fui no verão porque é caro e quente. Nova York é sempre diferente.
Em uma das vezes, meu primo Seth, americano legítimo, estava morando lá, depois de uma temporada na China. Ele e sua esposa, Hong, nos convidaram para um almoço em Chinatown. Foi a melhor comida chinesa que já comi na minha vida. Seth traduzia para o inglês tudo o que pedia e Ric traduzia para mim quando eu me enrolava. Era um almoço dim-sum, uma espécie de rodízio de comida chinesa. Uma super delícia completamente diferente da comida chinesa que temos aqui. Hong explicou que aqui se come comida mandarim e lá estávamos comendo comida cantonesa. Algo assim como comida baiana e comida mineira, embora tudo seja comida brasileira.
Neste mesmo almoço, dissemos ao Seth que queríamos fazer um programa tipicamente novaiorquino. Ele não titubeou. Passem o domingo no Central Park e façam um piquenique por lá. Foi sem cesta, toalha quadriculada ou cobertor. Mas a comida foi toda comprada no Zabar’s, uma delicatessen famosa em séries como “Will & Grace” e “Mad About You”. Durante nosso piquenique, nós começamos a ouvir uma música ótima. E lá fomos nós. E lá ficamos, ouvindo aquele cantor desconhecido, por toda a tarde. Foi incrível.
Nossa última viagem a Nova York, em novembro de 2000, também foi muito especial. Decidimos aproveitar umas diárias que ganhamos durante nossa longa estadia em Miami - quando o Ric trabalhou lá – e todas as nossas milhas aéreas e fomos em grande estilo. Classe executiva e hotel 5 estrelas. O hotel ficava na Rua 42, ao lado da Grand Central Station. Para a minha felicidade, descobri que a esquina do hotel era o principal ponto de distribuição de amostras grátis dos mais diversos produtos em lançamento. Preciso dizer que passei lá umas 500 vezes e ganhei uma montanha de amostras?
Parecia que sabíamos que seria a nossa última visita a NY por um bom tempo. Fizemos um monte de coisas que sempre adiávamos por um motivo ou outro, inclusive subir até o último andar do World Trade Center. Daquela vez, encaramos a fila enorme e subimos. Nunca me arrependi. O mais engraçado de tudo é que, pela primeira vez, perdi meu senso de direção. Saímos do hotel e pegamos o metrô até a estação WTC, dentro do complexo das torres. Nossa intenção era, antes de subir, ir até uma loja de departamento chamada Century 21, próxima ao complexo. Eu simplesmente andava por aquele labirinto de corredores e não conseguia achar uma saída sequer. Tive que pedir ajuda aos seguranças. Quando voltamos ao complexo, entramos por uma livraria e decidimos tomar um café. Sentamos à uma mesinha perto da janela, com vista para uma igrejinha mínima - e centenária - e seu cemitério particular. Nem a livraria, nem a igrejinha, nem o cemitério existem mais.
E, pouco menos de 1 ano depois, no dia 11 de setembro de 2001, eu via pela TV, aqui em casa, aquilo tudo ruir. E chorava em desespero, imaginando aquelas pessoas perdidas como eu fiquei, sem conseguir sair do prédio. E, quando eu soube que pouco mais de 3 mil pessoas tinham morrido ali, acreditei em milagre, acreditei em Deus, acreditei na sorte dos seres humanos.
Ainda não estou pronta para voltar lá. A minha cidade favorita. Aquela onde eu nunca quis morar para que o encanto não se perdesse.




10 comentários:
27 Agosto, 2007 01:27
Vc é mesmo uma figurinha ímpar..a começar pela viagem passada: Miami.
Como é que alguém pega um carro ou melhor uma banheira, num país diferente e sai dirigindo numa boa cheia de curiosidades por um lugar desconhecido e aqui onde nasceu, vive e mora tem receio de fz o mesmo? ôooo coisa doida...
Qto a New York, New York já se vão por aí uns bons 27 anos que não piso lá e na época, mto menina nao me deixei ser pega por essa "paixão" meu negócio era Disney e Havaí, mas valeu conhecer a famosa Big Apple, e o 11/09 é uma catástrofe que vai ficar impregnada em nossas mentes e coraçoes para sempre infelismente. Uma mostra de como o ser humano pode ser tão desprovido de sentimentos e respeito ao próximo....
Mas para mudar esse astral, te digo que aqui em casa é tudo mto complicado, meu marido é contemplativo, gosta de museus, histórias..viagens com conteúdo(ex Paris, o sonho d consumo dele) e euzinha? ahhh eu quero é diversão, sol, futilidades,(ex Bora-Bora, o meu sonho de consumo)..Talvez consigamos concatenar nossos prazeres num local como a Grécia por exemplo, taí quem sabe? vou lançar o desafio e ver se "cola" enqto isso viajo na sua ótima companhia por aqui mesmo. Zilhões de beijos :)
27 Agosto, 2007 07:32
Good Morning Debby,
Estivemos na mesma época em New York, pela mesma companhia, fazendo toda a costa leste. Eram meus 25 anos de casada e resolvemos conhecer The famous blue towun. Adorei também e ficamos num hotel perto, maais ou menos da China Town. O que mais gostei: as amplas avenidas, o Central Park, resolvi assistir a um culto gospel maravilhoso. Também não fui a museus por falta de tempo, nem no Empire states, pois quando chegamos estava fechado devido a grande nebulosidade. Realmente é para se voltar mil vezes. Amei o texto.
Beijos
Mirse
27 Agosto, 2007 07:50
Deborah.. nao é só você que chora ao ouvir essa música.. eu também, ela é linda. Nao conheço Nova York, mas você me incentivou a ir visitá-la.. Vou coloca-la nas cidades dos meus sonhos. Liderar um grupo de turismo voluntariamente me faz questionar novamente sua habilidade de lider.. Mae nao se engana (rsrs)
beijos
27 Agosto, 2007 15:11
Deb !
Você me fez ter vontade de visitar NY ... muito mais do que Miami - mas isso deve ser porque você adora a Big Apple né ? hehe
Infelizmente hoje não pude ouvir a música, pois emprestei minha caixinha de som pra uma amiga ... e os fones estão com minhas irmãs. E justo hoje que ela tem um significado tão especial para você !
Mas o que mais me impressionou no texto foi você não ter preguiça de andar 70 quarteirões ... hehe
Beijos !
Cris.
27 Agosto, 2007 17:23
Olá,
Deborah,
Acabei de ouvir a linda música que te faz chorar. Eu também fico sensibilizada com tanta ternura na voz da cantora. Eu ainda não tive o privilégio de conhecer a cidade de Nova York, mas comentários que ouço e mais o teu agora, faz-me pensar em ir o mais breve possível visitá-la.
Boa sorte amiga , parabéns, por suas idéiais tão culturais.
Maria helena.
27 Agosto, 2007 18:55
A única coisa que consigo dizer é que sente-se no texto o teu amor pela cidade e emoção ao escrevê-lo.
Obrigada por dividí-lo conosco.
27 Agosto, 2007 22:15
Um dia ainda quero ir passar um Natal em Nova Iorque... não é exatamente a cidade do mundo que mais tenho curiosidade em conhecer, mas um Natal... isso sim! Já me disseram que é lindo!
Estou adorando embarcar com vc nesta viagem, Deb!
Bjs!
29 Agosto, 2007 14:40
Sei que amaria visitar a cidade! Principalmnente seus museus e o Central Parque! Como devem ser sentidas suas saudades deste maravilhosos lugar! Mas sabe, amo o passado de Nova Yorque...pelo que li. Já li um livro e vi um filme: A Época da Inocência, e sei que, indo até lá, ficaria relembrando este passado...Amei seu texto...Amei a música e suas lembranças! É acho que vou ouvir agora o Frank: New Yok, New York...
01 Setembro, 2007 16:04
Obrigada ao Ric,o amor da Debinha, pois agora posso reler os textos com seus comentários. A Mente tb ensina a lidar com o pc e fazer ótimas navegações!
Eloisa
01 Setembro, 2007 16:05
Obrigada ao Ric,o amor da Debinha, pois agora posso reler os textos com seus comentários. A Mente tb ensina a lidar com o pc e fazer ótimas navegações!
Eloisa
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