Beaucoup de glaçon!

Música da Semana: La Vie en Rose
(Edith Piaf)

(Veja aqui a tradução da letra)
Ah, Paris! Lá se vão 10 anos. Inesquecível por vários motivos. O primeiro e mais óbvio: Paris é a cidade mais linda que já conheci. O segundo: foi minha primeira viagem em classe executiva, quando fiquei estragada para sempre em matéria de avião. E o terceiro: eu não falo nada de francês, portanto seria muito difícil fazer o que eu mais gosto: interagir e bater papo com os nativos. Eu ainda estava sofrendo as conseqüências da morte da minha mãe dois anos antes e tinha medo de tudo, inclusive de morrer de um ataque cardíaco fulminante a qualquer momento e não conseguir dizer para ninguém que estava morrendo. Então, eu ficava dentro do quarto, esperando o Ric voltar das reuniões dele, lá pelas 5 da tarde, para nós sairmos para passear. A minha sorte era que estávamos em agosto, pleno verão europeu, e só escurecia lá pelas 10 da noite.
Paris é linda até nos detalhes. Da minha janela do hotel, eu podia passar horas olhando as sacadas dos prédios em volta, cada uma trabalhada de maneira diferente. Paris estava suja e, para não ver a sujeira, eu olhava para cima. Para os prédios, para as lojas, para as pessoas.
Eu, muito acostumada com o estilo de vida americano, sou viciada em coca-cola com gelo, muito gelo. Descobri bem rápido que, em Paris, cada coca-cola custava uns 4 dólares e estavam sempre quentes. Nas máquinas, nos restaurantes, até no Burger King. E como se diz “gelo” em francês? Bom, eu precisava descobrir. Sentei no bar do hotel, pedi uma coca e comecei a conversar com o bartender, em inglês. “Pode me dar gelo?” e ele me deu uma pedra de gelo furada. “Mais”. Ele olhou para mim meio desconfiado e colocou outra. Eu, muito firme:“mais”. Ele, muito a contragosto, colocou mais uma pedrinha. Abri um sorriso e perguntei “como se diz isso em francês?” “isso o que?” “gelo, muito gelo”. Ele, com a certeza de eu era maluca, me ensinou: “glaçon, beaucoup de glaçon”. Fiz o pobre repetir algumas vezes e saí feliz, mesmo tendo sido a coca-cola mais cara da minha vida. Dali pra frente, eu saberia pedir o que queria.
Quer me torturar? Me deixe sem conversar com alguém. Eu converso com qualquer pessoa que pare ao meu lado. E isso era simplesmente impossível em Paris. Quem mandou não falar francês???? Ric me levou na Torre Eiffel. Uma fila quilométrica. Na minha frente, um rapaz lia um jornal italiano cuja manchete era sobre o Ronaldo Fenômeno. E eu comecei a tagarelar com o Ricardo sobre o Ronaldinho - que ainda não era ainda a estrela que se tornou. O rapaz entendeu que eu estava falando do Ronaldo e de outros jogadores brasileiros e puxou conversa comigo. Fiquei toda feliz.
Era 1997 e todas as lojas de Paris já estavam cheias de produtos para a Copa de 1998, na França, aquela que o Brasil perdeu na final. Claro que saí de lá com a minha camiseta francesa da seleção brasileira. Claro que, um ano depois, ela estava bem enfiadinha no lixo.
Gente, estava um calor insuportável, até para os meus padrões cariocas de viver. E Paris fedia a suor, a ranço. Entrar no metrô era um ataque olfativo. E a coisa só fazia piorar porque, junto com o seminário do Ric, acontecia o encontro de jovens católicos com o Papa. A cidade estava lotada de garotos e garotas, acampados em escolas, em igrejas, em bandos - e sem banho. Esta superpopulação fedorenta me incomodou a tal ponto que eu convenci o Ric a adiantar a nossa volta em um dia.
Na véspera de viajar, eu precisei de fita adesiva para embalar uns pacotes. Resolvi ir pedir na recepção do nosso hotel, onde trabalhava – Deus é pai! – um português. Com um “volto já” para o Ric, eu desci. Na saída do elevador, trombei com um armário 2m x 2m. Um homem enorme, preto que só ele. Eu, distraída e no automático, pensando como eu ia me explicar se eu não achasse o português, soltei um “I’m sorry” e tentei seguir em frente. Ele me deteve, perguntando “Do you speak English?”. E eu “Yes, I do”. “Graças a Deus, alguém que fala a minha língua!” disse ele. Quase uma hora depois, desce o Ric, preocupado, atrás de mim e me encontra no maior papo com o americano, os dois incrivelmente felizes.
Paris! Ah, Paris! Até hoje não voltamos lá. Quem sabe um dia? Só preciso prestar atenção no calendário de eventos. Ou ir na primavera. Deve ser ainda mais lindo... Com certeza, deve ser mais cheiroso.




15 comentários:
17 Setembro, 2007 05:24
Adorei o teu relato sobe Paris, apesar de conhecê-la é sempre bom ver as coisas por outros olhos.
Um palpite, se um dia voltares a Paris pensa em ir no inverno, eu acho que é a altura do ano mais bonita.
Beijos e uma linda semana
17 Setembro, 2007 08:59
Ai Paris!
Fui em abril.... e amei demais!
Filas quilométricas... não falava nada a nao ser merci ou pardon...rsrsrsrs, mas amei demais!
Se tem uma cidade que eu tenho vontade de voltar é Paris. Deborah, eu fui no começo da primavera, um friozinho bom...
Beijos e obrigada por me lembrar dessa viagem... Amo a Cidade da Luz!
17 Setembro, 2007 09:11
Engraçado tb estive em Paris em 97, só q fui em novembro, amei demais, uma das melhores viagens da minha vida, cidade linda, estava frio, as lojas estavam maravilhosas, adorei tudo!!gostei tb do seu ponto de vista.....bjss
17 Setembro, 2007 10:35
Olá Debby,
Você descreveu maravilhosamente o povo frnces. Estive duas vezes lá. uma no outono, lindo e agradável e outra no reveillon, frio mas igualmente lindo. Quando pequena, estudei num colégio onde as freiras não falavam portugues, apenas frances. Aprendi algumas coisas para sobrevier, mas o que mais ficou na minha mente foram as orações. Então quando fui a Monmartre, entrei numa igreja e para meu espanto sabia tudo: da Ave Maria a todos os cânticos.
Durante o dia achei horrível a torre Eiffel, mas à noite é linda. Curti muito.
Adorei relembrar Paris junto a você. E fiquei me imaginando , pois também não sei ficar num lugar sem interagir com o povão.
Te admiro!!!!
Beijos
Mirse
17 Setembro, 2007 13:33
Lembrei de uma pesquisa que fizeram no metrô de Paris, para saber quantas vezes o parisiense tomava banho e lavava a cabeça: alguns poucos banhavam-se uma vez na semana, a maioria uma por mês e outros poucos NUNCA haviam tomado banho completo. Cabeça muitos poucos lavavam e a grande maioria 2 vezes ao ano. Não é à toa que o bidê foi invenção francesa.
Quanto ao mais, Paris é Paris, não tem jeito. É charmosa, bonita, intrigante, romântica e cheia de gente mal-educada. Mas é Paris.
Amei, recordei, curti, etc, etc,etc.
Aproveite e entre no meu blog para ver as minhas crianças do Balé da Comunidade. O premiado no Festival Internacional é menor carente, morando de favor atrás de uma igreja evangélica e quer ser 1º bailarino do T.Municipal. Preciso dizer que o adotei? Já comprei todo o enxoval dele e agora vou mandá-lo a Brasília, para concorrer no Festival de lá (muito importante para quem faz balé).
Bjos nos 3: vc, Ric e Gildinha.
17 Setembro, 2007 16:18
"alguns poucos banhavam-se uma vez na semana, a maioria uma por mês e outros poucos NUNCA haviam tomado banho completo"
Nada justifica. Nada. Até de chuva dá pra tomar banho; e digo mais, cultura e refinamento não pressupõem imundície.
Quanto à língua, acho maravilhoso o idioma francês e a arrogância deles em relação aos outros idiomas. Nisso não há falsa modéstia da parte deles.
Eu gostaria de ir a Paris, mas não tenho aquele sonho juvenil cheio de florzinhas e carruagem de abóbora. Imagino Paris como uma cidade bela, como belas são outras cidades.
Infelizmente, para os brasileiros, nada nunca tem comparação com o "estrangeiro".
17 Setembro, 2007 20:25
Debinha,
Impossível não participar deste "pedaço" de sua coletânea de viagens.
Paris, para mim, não tem defeitos.Apesar dos odores de verão, é um privilégio poder visitar a Cidade Luz,com toda sua história, sua beleza, sua cultura, seus museus, suas avenidas lindas , enfim, Paris com tudo que tem- para mim NÃO TEM DEFEITOS! É a cidade dos Reis, dos vinhos, da boa gastronomia, dos perfumes maravilhosos, seus teatros,seus monumentos, das lojas belíssimas... ai.. AMO PARIS
Beijos,
Tia Sarinha
17 Setembro, 2007 22:48
Gostei muito de visitar Paris, atravez do seu relato, como venho acompanhando desde o início as suas viagens que são fantásticas. Apesar de não conhecer Paris, gostaria muito de conhecer a cidade luz, tão rica em cultura e história. Pra mim Paris tem um atrativo a mais, por ter sido a cidade de Kardec...
18 Setembro, 2007 18:03
Paris Paris, cidade luz, cidade de grandes pintores, conhecida também pelos cabarés da época.
Cidade privilegiada pela natureza, onde tudo é encanto e magia.
Somente as pessoas que já passaram por ela podem descrever sua fascinação por tantos encantos.
Como Deborah, diz é a cidade mais linda!!!!!!
Eu concordo.
Maria Helena.
19 Setembro, 2007 14:27
Eu quero, eu quero, eu querooooo!!!!
Mas terei a mesma dificuldade que vc, não falo bulhufas de francês. Ainda bem que não é muito difícil encontrar alguém que fale em inglês, na Europa! Pelo menos eu acho que não!
Bjs!
19 Setembro, 2007 22:40
Amei!!
Nunca fui a Paris, mas estudo francês simplesmente por achar uma língua maravilhosa (tenho 14 anos e como qualquer outra adolescente poderia estar num curso de inglês)e por ter o sonho de conhecer a capital da França.
Vou aproveitar a leitura do seu texto e farei questão quando eu for à Paris de que não seja verão.
Beijinhos e parabéns pelo texto.
01 Outubro, 2007 15:43
SERÁ QUE FINALMENTE VOU CONSEGUIR?VIVA PARIS! AMO ESTA CIDADE:CIDADE DAS lUZES, DE IMAGENS FEÉRICAS. Fiquei triste de saber da sujeira..Até aí? Ne pas possible! certa vez vi uma entrevista de Juarez Machado comentando que Paris no verão era um horror! O cheiro de cidade velha exalava em seus vapores...que havia uma fedentina só! Que no verão ele trocava, saía de Paris...Mas , eu, minha amiga, suportaria tudo para poder ver esta cidade linda de perto.Sábado vi uma matéria sobre a iluminação de Paris...Você realmente foi uma provilegiada!
Ah...a música que colocou é linda! Eu iria amar visitar os museus da cidade, visitar seus jardins! Com baguettes embaixo do braços e tudo o mais! Por que será que os franceses tem fama de exclentes amantes?rrsrsrs Vive la France, berço de cultura! Um dos países onde mais se lê!
21 Dezembro, 2007 21:10
Morei na França e fui muitas vezes à Paris, em todas as estações do ano. Não somente a cidade é bela mas também interessante, todo dia a alguma coisa pra fazer. Seja ir em um museo,um parque ou um monumento. A cidade exala cultura, é em cultura que a gente tem que pensar.
Me desculpe descordar, mas vocês tem um certo preconceito com relação a "higiêne"o brasileiro sempre acha que francês é mau cheiro. MENTIRA, FRANCESES CHEIRAM MUITO BEM, TOMAM BANHO DIARIAMENTE E TEM PRODUTOS DE HIGIENE MUITO MELHORES QUE OS MELHORES NACIONAIS BRASILEIROS!!!
04 Julho, 2008 15:29
Olá mim chamo Rose, tenho 21 anos, sou casada e a algum tempo estou com uma dúvida que têm mim incomodado muito. É se sou ou não adotada, meus pais são totalmente diferentes de mim, minhas irmãs, minhas tias, primos e avos. sou diferente tanto na aparência como na personalidade.Só que mim falta coragem para perguntar para eles.Queria falar um pouco sobre meu nascimento e talvez alguns de vcs que lêen possam mim ajudar. Nascir no dia 24 de janeiro de 1987 de 6 meses e 24 dias, a maternidade onde mim encontrava houve um incêndio e nesse dia mediante ao desespero todas as crianças ali presente foram tirada as pressas. minha mãe fala que da maternidade Ana Nery em salvador bahia onde ocorreu o incêndio fui trasferida para uma outra maternidade. Onde fiquei durante algum tempo e depois tive alta. Só peço a vcs que se alguém conhece essa história ou até mesmo acha que mim conhece por favor mim ajudem. Pois não tenho coragem de pergumtar para meus pais. E essa dúvida tem mim cosumido demais. algun comentário ajuda ou descoberta por favor mandem para uns desses emails. rose-fiel@bol.com.br OU dinda _amiga@hotmail.com Agradeço antecipadamente!!
09 Fevereiro, 2009 14:12
Noossa .. precisa voltar Debinha.
Já achei uma orientação prá blogueira caloura e volto mais tarde para ler sobre Paris.
Seu blog bombou. Não pare. Bjocas
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