O Cláudio Godói, twitter @Godoiobom, retuitou a seguinte frase um dia destes: “Eu só sou responsável pelo que eu falo, não pelo o que você entende.” Eu adorei a frase e, não só retuitei, como com a licença do Godói, publiquei no meu Facebook. O que eu não esperava era que a frase gerasse tanta discussão. Tolinha.
Esqueci que sou casada com um vulcano (espécie do Dr. Spock, do Jornada nas Estrelas, cuja principal característica é ser totalmente racional). Meu amado marido, quando leu a frase, interpretou-a vulcanicamente, ou seja, ao pé da letra. Escreveu um comentário enooorme no Facebook que eu só fui ver algum tempo depois.
O detalhe é que estávamos os dois em casa. Cada um em um quarto. E, ao ver o comentário dele e responder, ele estava deitado do meu lado, vendo TV. Pois é. Chegamos ao ridículo de discutir pelo Facebook. E mais: ele não entendeu a frase. Pelo menos não o seu lado emocional. Ele só entendeu o seu lado literal. Se prendeu ao fato de que quem se comunica, tem a obrigação de se comunicar claramente e, pasmem!, na mesma língua (português, inglês, chinês!) e que ambos são corresponsáveis pelo entendimento (na parte que eu li, porque nem me dei ao trabalho de ler tudo).
Nem preciso dizer que a discussão continuou fora da net e seguiu meu banho a fora. Eu tentando explicar a ele que é uma questão de “audição seletiva” e não de “clareza de linguagem”. Mil exemplos de um lado e de outro.
Quando voltamos para o Facebook, algumas amigas já tinham comentado. E, mais uma vez, surprise, surprise! Não sou a única infeliz a ter um marido vulcano! Tenho várias companheiras! Podemos até fundar um clube, gente!
E o nosso padrinho será o Roberval do título do texto. Eu explico. Algum tempo depois, já com a luz apagada para dormir, meu amado me perguntou:
- “Você sabe onde anda o Roberval?”
- “Claro que não. Pra que você está me perguntando pelo Roberval? Deve ter uns 15 anos que a gente não sabe dele...”
- “Fiquei lembrando da reação dele quando a gente contou que ia se casar. Imagina se ele soubesse que agora a gente discute até pelo Facebook...”
Explico: Roberval era o garçom que nos servia cafezinho quatro vezes por dia quando eu era secretária do Ricardo. Assistiu a muitas das nossas (primeiras) discussões. Quando contamos ao Roberval que eu estava pedindo demissão para casar com o Ricardo, ele caiu sentado na cadeira da mesa de reunião, completamente em choque, esqueceu totalmente a hierarquia e perguntou: “vocês vão se casar para ter mais tempo para discutir?”
Pois é, Roberval, esteja você onde estiver, você estava certo. Vinte anos depois, continuamos discutindo como no tempo em que namorávamos. Tenho certeza que você ficaria orgulhoso de sua capacidade de prever o futuro. Talvez você só não previsse que estas discussões durassem tantos anos.
* * PRÓXIMO POST - 07/06/2011 - Se quiser se avisado, clique no botão "seguir" e cadastre-se no "google friends" (primeiro bloco da coluna da direita).
publicado originalmente na Revista Innovative em 02/junho/2011

8 comentários: clique para ler e fazer o seu:
Descobri que meu marido também é um vulcano amiga! Adorei!
hahaha adorei tudo, a tirinha de humor está ótima.
Esse mundo internético é terrivel mesmo eu e Carol já discutimos e conversamos até sobre assuntos sérios por aqui cada uma no seu quarto, parece que a situação de não estar cara a cara dá uma "força" pra abrir o bocão, mas que fique claro que esse nao é nosso unico meio de conversa graças a Deus!!
Qto a esse papo cruzado estou ate acostumada mesmo, na minha vida de agora é assim eu falo alho e entendem bugalhos, mas quer saber adorei a frase e vou usá-la.
No clube não vou me filiar pq ja passei da fase do marido vulcano; e quando achar o terapeuta dublé de garçom Roberval me apresenta pra uma sessão a base de muito cafezinho (se bem que já tenho vc rs).
Um beijo e um queijo.
Débora!
Que prazer esse reencontro!
Adorei o texto, tão comum em nossa vida, mas ninguém como você para incrementar com um humor de primeira!
Saudades e Beijos
Mirze
Mirze querida, muito bom te ver de novo. Saber que vc está bem. Esta é uma das maiores satisfações que a Mente da Mulher me traz: os amigos de volta.
Vamos matar as saudades!
Bjssssss!
A frase é muito boa sim. E me trouxe a cabeça duas idéias:
Sendo um profissional de Comunicação Social, aprendi na faculdade a importância e poder the palavra, the articulação das idéias e do impacto the comunicação na vida das pessoas. Dizer não é simplesmente dizer: É tornar um fato, idéia ou opinião pública. E por esse ângulo Spock está sendo perfeitamente lógico.
Em seguida, pensei em qualquer forma de arte - que não existe conceitualmente sem a expressão do artista, mas principalmente sem a interpretação do público (que recebe, percebe, sente, concorda, discorda e das mais diversas formas ENTENDE o que foi dito).
Deb, quanto tempo! (vez em quando você manda um e-mail, mas e a coragem de responder? =P)
Ia comentar esse post no site da revista, mas exigia login no Facebook, e, como estava no trabalho, não pude comentar.
Adorei esse post, além de muito divertido, é bem verdadeiro... lembrou muito meu pai!
Meu namorado (você não conhece, nossa, quanto tempo meesmo!) já não é tão "vulcano", mas a gente discute bastante pela internet, hehehe
Que bom que A Mente voltou!
Beijos!
Cris! Vc tá namorando??? E trabalhando? Menina, vc cresceu! Quando vc apareceu na Mente a primeira vez tinha o que? 15 anos? E a facul? Precisa me mandar um email me atualizando!!!!! Saudades dos seus olhinhos puxados. Bjsssss
O tema me lembrou um curso de PNL que fiz, que tinha um exercício sobre comunicação, ou seja, uma demonstração de quão mal as pessoas se comunicam. O exercício era passar um dia, conversando normalmente, mas com um diferencial: sempre que 1 falasse, 2 só poderia continuar se repetisse o que 1 tinha falado e 1 concordasse que era isso mesmo que tinha dito. Então 2 tinha o direito de falar e só seguia se 1 repetisse e 2 desse OK... Assim por diante...
Parece complicado e chato, mas por vezes era MUITO divertido!!! Porque a gente tem tendência mesmo a interpretar o que o outro disse, e isso é uma habilidade humana. Ouvimos/lemos com o coração. Mas como vulcanos existem, eles ouvem com os ouvidos e lêem com os olhos... Mas também, se não houvesse diferenças de raças (humanos e vulcanos, por exemplo), que tédio seria a vida...
Se vocês não brigassem, muito possivelmente seria por se ignorarem... E nem mais estariam juntos! Ou seja, o ocorrido só me fez pensar... Legal! Eles continuam bem...
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