Sabe aquele ditado “quando Deus fecha uma porta, Ele abre uma janela”? Pois é. Ontem, conversando com a minha amiga Elaine sobre nossas perdas, cheguei à conclusão de que, inconscientemente, pelo menos eu, tento compensar minhas perdas emocionais.
Agora, muitos de vocês, leitores da primeira fase da Mente, vão sentir a falta dos comentários da minha querida Tia Sarinha. Minha fã no. 1 entre tantas fãs no. 1 que eu tenho. Minha grande incentivadora. Ela partiu no dia 20 de abril, deixando uma tristeza e um vazio.
Muita gente me pergunta por que eu resolvi voltar a escrever. Eu mesma não sei o que me deu. Só sei que me deu. E aí eu brinco que a Tia Sarinha encontrou com a Raquel - cunhada dela e minha leitora, pessoa que eu mega admirava - lá nas outras bandas e as duas se uniram para me fazer voltar a escrever. Porque vocês sabem, né? Nestas épocas de vampiros, imortais, anjos, nefilim, todo poder celestial é poder. Ainda mais de quem nos quer bem. Então, eu não duvido de nada.
Voltando ao assunto da perda e de como lidar com ela, descobri também com a partida da Tia Sarinha que estou mais forte, com uma couraça mais dura. Claro que fico triste, sinto saudade, esqueço que ela se foi. A diferença é que não sofro tanto. Não entro em desespero. Primeiro, porque não faz bem a mim. Segundo, porque não faz bem a ela. Terceiro, porque gasto uma grana em terapia, psiquiatra e remédios e não aprender nada, nadinha de nada seria um tremendo desperdício de tempo e de dinheiro.
Perdas todos nós temos. Saber lidar com elas não é só uma questão de maturidade. É também uma questão de quantas perdas já se teve na vida. A Gilda, com seus 4 anos e meio, por exemplo, já teve mais perdas que muito marmanjo de 40 anos. É claro que ela ficou meio confusa agora com a morte da Tia Sarinha. Não conseguia entender de jeito nenhum porque a Tia Sarinha não acordou com o beijo do Tio Emílio (o marido dela) como a Branca de Neve acordou com o beijo do príncipe. E, para completar, a gatinha dela morreu no dia seguinte. Quando eu disse que a gatinha e a Tia Sarinha tinham ido juntas para o céu, a reposta da Gilda foi rápida: “Claro que não, titia! A Tia Sarinha foi ontem. A Edileuza (a gata) foi hoje. Você acha que a Tia Sarinha ia ficar esperando a Edileuza?”
Enfim, podemos nos entregar ao desespero ou podemos preencher nosso vazio. Podemos sofrer de saudade ou seguir o conselho de outra de minhas leitoras, a sábia Rosinha, e sentir a “saudade de Isolda”*, a saudade do título do post. A escolha é de cada um. Vocês já sabem qual é a minha.
*Isolda é a autora da letra de Outra Vez que nós conhecemos cantada por Roberto Carlos.
* * PRÓXIMO POST - 21/06/2011 - Se quiser se avisado, clique no botão "seguir" e cadastre-se no "google friends" (primeiro bloco da coluna da direita).
* * PRÓXIMO POST - 21/06/2011 - Se quiser se avisado, clique no botão "seguir" e cadastre-se no "google friends" (primeiro bloco da coluna da direita).


16 comentários: clique para ler e fazer o seu:
Muito interessante,sofri uma perda recentemente, e tá sendo complicado lidar ....
Também sofri uma perda, o que me deixou profundamente arrasada, nao tinha chão, nao tinha paredes, nao tinha nada...o tempo passou e hj me sinto mais fortalecida, pelo apoio que recebi e recebo das minhas amigas, familiares e etc...
Lindo este post Dé, vc é brilhante...mais uma vez me ajudou e muito..
Só posso agradecê-la..
Lindo, divertido e emocionante!
Valeu tia Sarinha por mexer os pauzinhos aí em cima pra essa mulher voltar a escrever.
A resposta da Gilda foi maravilhosa; e perdas graças a Deus tive poucas, significativa mesmo minha tia/madrinha que já se foi há 19 anos(uma pessoa muito especial, querida, bondosa, sempre com sorriso no rosto, sabe aquele tipo que como se diz hoje "tamo junto e misturado") e vai fazer falta pra sempre, mas como vc disse sofrer nao faz bem a ela e nem a mim então penso nela com saudade e amor.
Quanto a vc criatura, caramba te amo e admiro praca sabia? incrivel oq a vida faz conosco...
Beijo.
Eu não me canso de dizer: você é uma das mulheres mais incríveis que conheço, sério! Perdas são ruins, mas são poucos que podem lidar com elas. Eu, por exemplo, não sei lidar com perdas. Está tudo perdido, e lá estou eu, segurando tudo e me machucando mais! Ai, como eu adoro você, Deb. Inclusive estes teus textos maravilhosos, que me inspiram, sério <3
Paty, vc é a minha Cris de hoje. Veja o comentário dela no post do Roberval. Ela cresceu e vc tb vai crescer e florescer. Fé, menina, que seu mundo é grande!
a gente pode perder até quem ainda está aqui. acho que, de verdade, essa doi mais.
Maravilhoso esse texto.Mas saber lidar com perdas é para poucos, eu particularmente não consigo. Acho injusto a morte. Ainda não consegui esse discernimento que voce tem.
Que bom que você voltou a escrever. Tia Sarinha está mesmo te dando uma luz lá de cima. Feliz de saber que você está bem. É amiga, não é fácil mesmo lidar com perdas mas acho que o fato de estar morando longe do meu pai me ajudou a superar melhor, mas sempre acho vazia a casa da minhã mãe quando vou lá. Mas com o tempo a gente vai ficando mais forte mesmo. Bj
Não gosto muito de falar em perdas, tive-as tantas e desde tão moça que exercitei a arte de chorar por dentro, aquelas lágrimas que ninguém vê e que correm sem parar em nosso íntimo. A minha janela é falar dos meus amados e deixar que eles se transformem exatamente no título do post. Leio o Eça de Queiroz de meu pai, ouço os tangos da minha mãe, na cabeceira o terço de minha nona e o Iglesias com "El dia em que me quieras" supre a saudade do meu 1º e grande amor. O segredo é viver para os momentos em que esquecemos as lágrimas.
Lá vou eu...rs. Ninguém "perde"nada nem ninguém, as pessoas passam. Todo mundo nasce com data de validade, mas a gente não enxerga a meleca do carimbo!
Sem brincadeira, não é mole não. Doi, a gente chora, fica triste, com raiva e tudo, mas passa. Grande tempo, curador da alma, que alivia a todos nós e nos ajuda a tocar em frente.
Beijooo!
Isso mesmo, Laura. Grande tempo, curador da alma. Não é à toa que vc é uma escritora com livro publicado. rs. Bjs e seja muito bem vinda ao meu/nosso cantinho.
Com o tempo, aprendemos que não vamos junto e o continuar vivendo independe do tamanho da dor. A não ser que tenhamos o espírito suicida, mas aí é outra questão...
Algumas perdas são maiores, mais doloridas e outras são "impensáveis" e irreparáveis. Não gosto nem de pensar nisso, mas acho que a única dor que é insuperável é a de um filho. Mas, também, já aprendi, que este medo é compartilhado com todo ser humano que tem um. E que não adiante se PRÉ OCUPAR.
Deborah, demorei mas vim!
Ando gripada e sem muito saco pra internet. Nem no meu blo tenho escrito, mal vejo os emails. E que bom que você voltou pro blogger, assim eu consigo comentar!
Pois bem, vamos ao assunto. Eu tive perdas na vida, mas nenhuma que me abalasse a ponto de me deixar sem chão. A mais próxima foi minha avó, que se foi no final do ano passado. Não sei se é esse excesso de racionalidade que Deus me deu, mas eu sou muito pé no chão. Ela tinha 90 anos, 2 AVCs, eu já tinha dentro de mim uma voz que me dizia que tava chegando a hora. Por isso não foi um choque, nem foi tão difícil de lidar. Mas acredito que é como você falou, as perdas fazem parte da vida, e quanto mais as vivenciamos, mais aprendemos a lidar com elas.
Super beijo!
Verdade amiga, desde que nos conhecemos, sem dúvida, vc está mais forte sim!
Quando comecei a ter grandes perdas em minha vida foram em efeito dominó, uma atrás da outra, mal dava tempo de respirar e vinha mais uma...
Não tenho religião, sou espiritualista e tenho plena convicção que ter fé em algo, não importa como seja 'Deus' p/vc, nos faz "digerir" melhor, não se demorar tanto lamentando(o que só faz mais mal), e passar p/fase da saudade, que muitas vezes dói sim, mas os momentos bons jamais serão apagados, os ensinamentos, tudo que a pessoa nos representou em vida.
Como diz a frase : "Saudade é a presença de uma ausência"...
Não conheço sentença que defina melhor a palavra.
Não tem receita de bolo, mas não centrar tanto em si, olhar a grandeza da vida, com todos os seus problemas, alivia muito; mas principalmente ocupar o tempo ;)
Bjsss perfumados de coisas boas amiga!
Prima, quase 2 meses que minha vó morreu e parecem 2 décadas... Não estou no estágio avançado de vocês, continua uma imensa dor. Vamos aguardar o tempo fazer o seu papel e diminuir a dor. Um bj.
Postar um comentário