1 de outubro de 2007

Seguir Adiante


Música da Semana: Não Aprendi a Dizer Adeus
(Leonardo)
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Achei no blog Palavras Soltas a frase que eu precisava para abrir este artigo: “Um ‘não’ dito com convicção é melhor e mais importante do que um ‘sim’ dito meramente para agradar, ou, pior ainda, para evitar complicações”.

E como está complicado. Falta de inspiração, falta de motivação e, acima de tudo, falta de disposição para continuar. Preciso de um tempo para pensar na vida e reavaliar. Preciso de tempo para renovar e seguir adiante.

Há algum tempo, o leitor Michel escreveu em um comentário que eu não esquecesse que sou responsável por quem cativo. Fiquei completamente assustada. Não, não sou responsável e não quero ser. Nem uma mãe é responsável por seus filhos indefinidamente. Por que então seria eu responsável por meus leitores quando eu já não quero mais ser? E quem seria responsável por mim?

Ler meu blog não é um compromisso assumido por vocês. Meus leitores vão e vêm. E eu também preciso exercer este direito, já que nunca assumi o compromisso de escrever este blog para sempre. Todo mundo tem seus períodos e eu também. E este é o período de parar. Por um tempo? Para sempre? Nem eu sei.

Conheci muita gente legal e umas nem tanto. Aprendi muito e ensinei também. Agora, sinto como se tivesse fechado um círculo, sem a menor possibilidade de expansão. Não é uma crise, não é um ataque, muito menos necessidade de chamar atenção. É o contrário. Preciso me fechar em mim mesma e respirar. Achar novos caminhos e outras soluções.

Portanto, nada de choro ou velas. Nada de tentar me convencer a fazer o contrário. Sem cobranças, por favor. Só o que eu preciso agora é compreensão.

Vou guardar os e-mails de quem está cadastrado no grupo. E prometo que, se um dia, eu resolver voltar, esses serão os primeiros a saber.

Até lá, divirtam-se. Procurem novos blogs, escrevam um blog vocês mesmos, dediquem-se a outros hobbies. Exatamente o que eu farei.


24 de setembro de 2007

O Sol dos Trópicos


Música da Semana: O Sol dos Trópicos
(Gilbert Montagné)
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letra da música de semana
(Veja aqui a tradução da letra)


Como contei anteriormente, perdi a vontade de viajar. Principalmente, viagens longas e que incluam avião. Só que ainda preciso de férias. Agora, mais do que nunca. De preferência, férias bem relaxantes, sem nenhuma preocupação. Encontramos a solução há alguns anos, seguindo a sugestão de uma conhecida: Club Med. Tudo em um lugar só e por um preço acessível se você puder viajar em baixíssima temporada. E, ainda por cima, bem perto de casa: somente uma hora de carro da minha casa até Mangaratiba. E o celular pega e não pago roaming. E, se eu precisar, tenho internet. Custa uma fortuna - o que não deixa de ser bom, já que eu estou lá para descansar e não para trabalhar.

A primeira vez que fomos ao Club Med, escolhemos o Village de Itaparica. Ainda não era a opção ideal, apesar de tudo de bom que curtimos por lá. Tinha a espera no aeroporto, as três horas de vôo daqui para Salvador, uma viagem de van de meia hora até o cais, uma viagem de barca de uma hora e meia e mais outra meia hora do cais de Itaparica até o Village. Fico cansada só de lembrar. E o pior: nossa máquina fotográfica deu pau ainda na barca e não temos uma foto sequer daquela semana fantástica.

Foi lá que deixei minha vergonha de lado e fui aprender a jogar tênis. Eu e mais uns 15 que nunca tinham pego em uma raquete. Minhas bolas não chegavam na rede e o coro de “precisa de Nescau” era, no mínimo hilário. Nunca pensei que pudesse me divertir tanto fazendo exercício. Marcelo, o G.O. do tênis, tentando me incentivar, disse que eu precisava liberar minha raiva. Ganhou um copo de água gelada na cabeça. Garrido, o outro G.O. do tênis, ainda mantém contato conosco até hoje, pelo Orkut. Ainda não conseguimos marcar uma partidinha para ele ver com os próprios olhos que, agora, minha bola atravessa a quadra, saindo pelo fundo, muitas vezes.

Depois daquela primeira vez, mudamos de Village. Itaparica por Mangaratiba. Além da vantagem da distância, Mangaratiba, como aqueles que acompanham esse blog já sabem, foi onde eu cresci. É muito bom poder sentar na praia e ficar vendo a “minha” ilha. Pena que, algumas vezes, tantos navios cargueiros enfeiem a paisagem...

Conheci por lá pessoas muito especiais. Ganhei até uma "filha", a Biazinha. E alguns leitores. Pena que a maioria dos G.O.s que conheci no ano anterior já não esteja no Club quando eu volto, mesmo sendo apenas 1 ano depois.

Nossa primeira ida ao Village Rio das Pedras foi na mesma época da novela “O Clone”. Coincidentemente, o chefe do Village era um marroquino chamado Said. Podem acreditar em mim. O homem era tudo de bom: beleza, simpatia, acessibilidade. E um excelente comediante, que participava ativamente dos shows noturnos para os hóspedes. Infelizmente, Said não está mais conosco. Logo depois, ele foi transferido para a Bahia, para inaugurar o Village de Trancoso. Em uma de suas viagens entre Itaparica e Trancoso, seu avião caiu. Vi pela TV, no Jornal Hoje, e não acreditei. Sinto falta dele até hoje. Ainda não conheci outro chefe de Village igual. Mas, conheci um, o Daniel - em maio deste ano (vocês nem sentiram a minha falta, né?) - que tenho certeza que vai chegar lá.

Passo o ano sonhando com o que vou fazer quando chegar lá. Principalmente com o que vou comer. Principalmente os pães. É que lá tem o José. Um português com uma super mão para fazer pães. Não posso chamá-lo de padeiro porque o Ric me mata. José, assim que me vê por lá, se programa para fazer pães de chocolate. Com recheio de chocolate branco, com massa de chocolate preto e recheio de chocolate branco, todo de chocolate preto. Este ano, José se superou. Fez uma foccacia de lamber os dedos. E um pão de alho de comer rezando.

Ainda por cima, tem a boutique. Ric diz que o Club Med para mim é uma boutique com um clube em volta. E é mesmo. Tem sempre coisas legais e a preços acessíveis, principalmente se eu tiver paciência de examinar, todo dia, as ofertas do dia. E é, sem dúvida, o melhor lugar do mundo para comprar saias de tênis. Ótima qualidade e um hiper preço.

É isso, minha gente. Depois de ter o passaporte bastante carimbado, descobri que não preciso ir muito longe para ser feliz. Entre meus fins de semana no Hotel Pedra Bonita e minha semana anual no Club Med, recarrego as baterias. Fico pronta para mais um período de rotina e vida normal.


17 de setembro de 2007

Beaucoup de glaçon!



Música da Semana: La Vie en Rose
(Edith Piaf)
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letra da música de semana
(Veja aqui a tradução da letra)



Ah, Paris! Lá se vão 10 anos. Inesquecível por vários motivos. O primeiro e mais óbvio: Paris é a cidade mais linda que já conheci. O segundo: foi minha primeira viagem em classe executiva, quando fiquei estragada para sempre em matéria de avião. E o terceiro: eu não falo nada de francês, portanto seria muito difícil fazer o que eu mais gosto: interagir e bater papo com os nativos. Eu ainda estava sofrendo as conseqüências da morte da minha mãe dois anos antes e tinha medo de tudo, inclusive de morrer de um ataque cardíaco fulminante a qualquer momento e não conseguir dizer para ninguém que estava morrendo. Então, eu ficava dentro do quarto, esperando o Ric voltar das reuniões dele, lá pelas 5 da tarde, para nós sairmos para passear. A minha sorte era que estávamos em agosto, pleno verão europeu, e só escurecia lá pelas 10 da noite.

Paris é linda até nos detalhes. Da minha janela do hotel, eu podia passar horas olhando as sacadas dos prédios em volta, cada uma trabalhada de maneira diferente. Paris estava suja e, para não ver a sujeira, eu olhava para cima. Para os prédios, para as lojas, para as pessoas.

Eu, muito acostumada com o estilo de vida americano, sou viciada em coca-cola com gelo, muito gelo. Descobri bem rápido que, em Paris, cada coca-cola custava uns 4 dólares e estavam sempre quentes. Nas máquinas, nos restaurantes, até no Burger King. E como se diz “gelo” em francês? Bom, eu precisava descobrir. Sentei no bar do hotel, pedi uma coca e comecei a conversar com o bartender, em inglês. “Pode me dar gelo?” e ele me deu uma pedra de gelo furada. “Mais”. Ele olhou para mim meio desconfiado e colocou outra. Eu, muito firme:“mais”. Ele, muito a contragosto, colocou mais uma pedrinha. Abri um sorriso e perguntei “como se diz isso em francês?” “isso o que?” “gelo, muito gelo”. Ele, com a certeza de eu era maluca, me ensinou: “glaçon, beaucoup de glaçon”. Fiz o pobre repetir algumas vezes e saí feliz, mesmo tendo sido a coca-cola mais cara da minha vida. Dali pra frente, eu saberia pedir o que queria.

Quer me torturar? Me deixe sem conversar com alguém. Eu converso com qualquer pessoa que pare ao meu lado. E isso era simplesmente impossível em Paris. Quem mandou não falar francês???? Ric me levou na Torre Eiffel. Uma fila quilométrica. Na minha frente, um rapaz lia um jornal italiano cuja manchete era sobre o Ronaldo Fenômeno. E eu comecei a tagarelar com o Ricardo sobre o Ronaldinho - que ainda não era ainda a estrela que se tornou. O rapaz entendeu que eu estava falando do Ronaldo e de outros jogadores brasileiros e puxou conversa comigo. Fiquei toda feliz.

Era 1997 e todas as lojas de Paris já estavam cheias de produtos para a Copa de 1998, na França, aquela que o Brasil perdeu na final. Claro que saí de lá com a minha camiseta francesa da seleção brasileira. Claro que, um ano depois, ela estava bem enfiadinha no lixo.

Gente, estava um calor insuportável, até para os meus padrões cariocas de viver. E Paris fedia a suor, a ranço. Entrar no metrô era um ataque olfativo. E a coisa só fazia piorar porque, junto com o seminário do Ric, acontecia o encontro de jovens católicos com o Papa. A cidade estava lotada de garotos e garotas, acampados em escolas, em igrejas, em bandos - e sem banho. Esta superpopulação fedorenta me incomodou a tal ponto que eu convenci o Ric a adiantar a nossa volta em um dia.

Na véspera de viajar, eu precisei de fita adesiva para embalar uns pacotes. Resolvi ir pedir na recepção do nosso hotel, onde trabalhava – Deus é pai! – um português. Com um “volto já” para o Ric, eu desci. Na saída do elevador, trombei com um armário 2m x 2m. Um homem enorme, preto que só ele. Eu, distraída e no automático, pensando como eu ia me explicar se eu não achasse o português, soltei um “I’m sorry” e tentei seguir em frente. Ele me deteve, perguntando “Do you speak English?”. E eu “Yes, I do”. “Graças a Deus, alguém que fala a minha língua!” disse ele. Quase uma hora depois, desce o Ric, preocupado, atrás de mim e me encontra no maior papo com o americano, os dois incrivelmente felizes.

Paris! Ah, Paris! Até hoje não voltamos lá. Quem sabe um dia? Só preciso prestar atenção no calendário de eventos. Ou ir na primavera. Deve ser ainda mais lindo... Com certeza, deve ser mais cheiroso.